Como a biotecnologia pode evitar a extinção da banana?

29 Março 2019
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Você provavelmente nem sabia, mas, na década de 1950, uma banana foi praticamente extinta e isso pode acontecer de novo agora.

Qual foi a última vez que você viu uma banana? Provavelmente não deve fazer muito tempo. O que você talvez não saiba, é que a extinção da banana pode estar muito próxima e essa não é a primeira vez.

Até 1950 essa fruta tinha algumas características diferentes das que conhecemos hoje, a exemplo de gosto e aparência. Naquela época, a variedade plantada era conhecida como Gros Michel, cultivada principalmente na América Central e exportada para todo o mundo.

Acontece que a plantação de banana é feita por meio da produção de clones de uma única planta mãe (propagação por muda e não por semente). Isso, por um lado, é vantajoso pois todas as plantas são iguais e, logo, podem ser cultivadas da mesma forma e vão apresentar tamanho, cor e sabores idênticos. O que é extremamente prático para produtores e indústria.

Por outro lado, ao plantar dessa forma, estamos criando clones de uma única planta e isso faz com que todas as bananas sejam geneticamente iguais. Dessa forma, se um microrganismo conseguir infectar uma planta, ele será capaz de infectar todas.

A clonagem diminui a diversidade genética, que é extremamente importante para que exista variabilidade dos genes. Isso é fundamental para que possam ser desenvolvidas plantas resistentes a organismos que podem causar doenças e prejuízos à planta. Isso é o que pode evitar que um único microrganismo acabe com uma espécie vegetal e é a base para o melhoramento genético.

O Mal do Panamá e a extinção da banana

Na década de 1890 os produtores de banana enfrentaram um fungo mortal, o Fusarium oxysporum. Esse fungo vive no solo e entra em contato com a planta pela raiz. Ele impede que a planta retire água e nutrientes do solo, levando-a morte. A doença foi identificada pela primeira vez no Panamá e por isso ficou conhecida como Mal do Panamá.

Em 1950 os produtores de bananas Gros Michel perderam a guerra contra o fungo. O Fusarium oxysporum não foi eliminado por nenhum fungicida ou defensivo químico, permanecendo no solo. Nessa época, ele já tinha se alastrado por todo o planeta e já não existia área viável para as plantações de banana.

O fato dessas bananas serem geneticamente iguais facilitou tal devastação. Nesse caso, se uma planta ficar doente, há grande chance que todas as outras (que são iguais) também fiquem doentes, ainda mais se estiverem próximas ou em contato umas com as outras (exatamente o que acontece em plantações).

Se você não tiver mais que 70 anos, provavelmente nunca provou uma banana Gros Michel, que dizem ser mais adocicada e saborosa.

A salvação da lavoura

Uma banana conhecida como Cavendish cultivada na propriedade de um palácio na Inglaterra, era geneticamente diferente da banana Gros Michel. Para a sorte dos produtores de banana, essa variedade foi capaz de resistir ao mal do panamá e passou a ser plantada nas regiões que estavam infestadas pelo fungo.

Atualmente as bananas Cavendish são as mais conhecidas. No Brasil são chamadas de banana nanica ou d’água. Apesar de hoje existirem algumas variedades diferentes, como a “maçã”, “prata” (plantadas no Brasil e suscetíveis ao mal do panamá) a Cavendish é a mais produzida e comercializada pelo mundo.

Um novo risco de extinção da banana

Você pode estar pensando, então, que não precisa se preocupar com uma possível escassez de bananas. Mas não é bem assim. Atualmente, a banana está correndo sério risco de sobrevivência mais uma vez. O fungo da doença do Mal do Panamá evoluiu e agora ameaça também as plantações de Cavendish. Assim como aconteceu com a variedade Gros Michel, as plantações de Cavendish não irão apresentar nenhuma resistência contra o novo Fusarium oxysporum.

A forma com que a produção de banana é realizada não mudou, os produtores continuaram utilizando clones! Ou seja, mais uma vez, todas as bananas são exatamente iguais, por fora e por dentro. O que pode levar a uma nova extinção da banana.

O novo fungo é ainda mais agressivo e foi descoberto na década 1990 no sul da Ásia. Hoje ele já é encontrado na Austrália e países do norte da Ásia, como China, um dos maiores produtores de banana no mundo. Mais de 10 mil hectares de plantações de banana Cavendish já foram destruídos no país.

Biotecnologia para salvar as bananas

Para que a extinção da banana não ocorra é necessário impedir o avanço da doença, através de medidas de controle de exportação/importação

Cientistas também trabalham com o objetivo de encontrar ou desenvolver uma nova variedade que seja resistente ao fungo e que agrade o paladar da população mundial. Entretanto, por conta da forma com que a banana sempre foi cultivada, encontrar variedades geneticamente diferentes é raro.

No entanto, uma banana encontrada na ilha de Madagascar pode servir como fonte de genes de resistência e salvar a produção da fruta. No entanto, apesar dela não sofrer com o mal do panamá, por outras razões, ela já corre risco de extinção. Exatamente por isso um esforço deve ser feita para preservá-la. .Ela pode conter genes de interesse que poderiam ser transferidos para a Cavendish por cruzamento ou por técnicas de biotecnologia.

A biotecnologia pode ajudar a aumentar a variabilidade genética dessas plantas através da indução de mutações na cultivar e também pelo desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas. Aplicações que foram facilitadas pelo sequenciamento dos genomas do fungo e da planta em 2012 e 2013.

Outra alternativa foi a encontrada por pesquisadores da Holanda. Em uma tentativa de produzirem banana sem usar terra, local onde o fungo vive, conseguiram cultivar banana em estufas utilizando fibras de coco e lã mineral como solo.

No Brasil, a bananeira é cultivada de norte a sul, colocando o país como quarto maior produtor de banana do mundo. A fruta que é a mais consumida no País. O fungo mortal ainda não chegou por aqui, por isso devem-se aplicar medidas preventivas e, em paralelo, investir na pesquisa básica. Quanto antes variedades resistentes forem desenvolvidas, mais chances teremos de salvar a nossa banana de cada dia.

Fonte: Redação CIB, Março de 2019

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